Casa em Maxial
Maxial, 2020

Casa em Maxial
Localização: Maxial, Ansião
Programa: Reabilitação / Construção nova
Tipologia: Moradia unifamiliar T4
Área: 238,80m2
Ano: 2020
Estado: Construído
Arquitetura: Cidade Branco Arquitectos
Engenharia: Engª Catarina Ferreira
Construção: Lápis Engenharia – Construção
Fotografias: David Pereira
O Nuno e a Cláudia eram emigrantes, tendo um trabalho que os fazia poder estar em qualquer lado do mundo, ao fazerem parte da equipa da famosa companhia do “Cirque du Soleil”. Foi através de várias reuniões com fusos de horários bastante diferentes que desenhámos juntos com o Nuno e a Cláudia a casa de Maxial, que era a base essencial para o regresso deste a casal a Portugal e à sua terra natal onde pretendiam alargar a sua família.
Maxial é uma aldeia pertencente ao concelho de Ansião, caracterizada por um aglomerado urbano pouco denso mas consistente, onde a pedra calcária da zona marca a arquitetura. A área urbana está concentrada perto da via principal da aldeia e é rodeada por terrenos florestais e agrícolas. Estas características são exatamente as que marcam o terreno que vamos intervencionar: temos um terreno de área generosa, o perímetro é marcado por um muro em ruína em pedra calcária e a zona urbana (possível de construção) está adjacente à via principal.

A Claúdia e o Nuno pretendiam uma casa de rés de chão, T3, com a cozinha a ser o coração da casa com uma área generosa. Implementámos a casa na área urbana que depois de cumprida a legislação, nomeadamente afastamentos obrigatórios do eixo da rua, ficámos condicionados à localização possível que coincidia com um afloramento rochoso. Tivemos como principio respeitar o terreno: a flora que era marcada por carvalhos e oliveiras e estes aglomerados rochosos, por isso a casa é desenhada de forma a que a intervenção no terreno seja mínima e que no final da obra continuássemos a conviver com a beleza natural do terreno.
A casa é desenhada paralela ao eixo da via principal, desenha um “L” em planta, onde a sala está a uma cota mais baixa que a restante casa, para que a casa acompanhe o desnível do terreno. Pretende-se um volume que não se destaque na rua, por isso a casa vira-se “de costas” para a rua e abre-se para o terreno, e a cobertura de uma só água acompanha o desnível do terreno, numa tentativa do volume não entrar em conflito com a morfologia natural do terreno. A casa que tem uma caixa de ar generosa, para respirar e ventilar, e ao mesmo tempo dar uma ideia que a casa não assenta de forma grosseira no terreno, parecendo estar suspensa em cima do aglomerado rochoso.
A relação com o terreno é marcada por vãos de área generosa, o alçado principal está virado para dentro e não entra em conflito com o contexto urbano. Este mesmo alçado é marcado por uma plataforma em deck de madeira que acompanha o desnível da casa e se relaciona com o exterior. Alinhada com esta plataforma temos uma pala que é a continuidade da cobertura da casa– a pala foi estudada para possibilitar a entrada de luz natural nos meses de inverno e para criar sombra nos meses de verão, situação verificada após a construção, trazendo uma térmica controlada e confortável à casa.

Resumidamente temos, uma casa de rés de chão que tenta estar dissuadida no terreno através de um volume simples que acompanha a morfologia do terreno, toda a casa vira-se para o interior do terreno onde a plataforma em deck cria uma zona de transição entre o interior e o exterior, e entre a zona de refeições exterior relacionada com a cozinha interior e a cozinha exterior dotada de um forno a lenha. A casa assenta no terreno de forma delicada e quando estamos no interior estamos sempre a relacionarmo-nos com o terreno que faz parte da paisagem e entra no interior da casa através dos vãos generosos. Os matérias de eleição são a madeira nos pavimentos, azulejos artesanais na cozinha e casas de banho, uma cobertura em zinco e o muro de limite que foi reconstruído com a pedra calcário retirada do próprio terreno.
Este projeto teve uma evolução interessante, e sofreu várias alterações, tendo chegado a ter dois pisos a certa altura, depois de muito estudo, questionamento, ajustes orçamentais, acreditamos piamente que a versão que acabou por ser construída foi a melhor versão de todas as desenhadas, onde todos os intervenientes têm responsabilidade nesse sucesso, nomeadamente equipa de engenharia, construtores e clientes.
Esta foi a primeira casa que desenhámos nova – construção nova – sem ser reabilitação, agradecemos à Claúdia e ao Nuno pela confiança depositada em nós, que hoje já vivem na casa e têm dois filhos.
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